O ano,não importa qual.Mês e
dia,muito menos.
Se bem pensar ,nada mais
importa.
Não existe mais pelo que
esperar.
A esperança se foi
junto com a última árvore.
Meu objetivo é contar uma
história.
Apenas uma.
A última história.
Quando eu nasci.
Quando eu nasci tudo já estava
condenado.
Condenado por um crime cometido
por tolice.
Condenado por uma criatura.
Apenas uma entre milhões de
criaturas.
Uma criatura que
agradeceria por existir.
Destruindo todas as outras.
Não há mais o que lamentar.
Não mais.
Mas ainda existe algo a fazer.
Ainda há o que contar.
Só não existe
alguém para ouvir.
Era uma vez um planeta azul.
Azulinho.
Azul e verde.
Só que não era bom o bastante.
Era bom o bastante.
Não o bastante para mim.
Então eu resolvi mudar tudo.
Deixar do meu jeito.
O verde começou a queimar.
A azul começou a ficar cinza.
Foi então que eu tentei parar.
Eu disse que não precisava.
Eu sentei e chorei.
Um planeta tão lindo.
Lindo mesmo.
Era tudo perfeito,um mundo pronto
para se viver.
Até que chegou um tempo em que as estações do ano.
As quatro .
Só apareciam nos livros de
história.
Aí eu me dei conta.
Me dei conta de que já não dava
mais.
De que dali seria só esperar.
E ver morrer o lugar que me deu
vida.
Eu bem que tentei.
Tentei encontrar um outro lugar.
Mas o único lugar .
Num raio de milhões de anos luz.
O único lugar em que se poderia
viver
Eu destruí
Não foi de propósito!!!
Não!!!
Não!!!
Foi pelo progresso.
Isso o progresso.
O progresso.
Eu criei curas para todas as
doenças que existiam.
Criei curas para todas as
doenças.
Eu curei tudo.
Eu criei todas as
doenças.
As minhas invenções deixaram o
mundo mais prático.
O que eu inventei tornou o mundo
mais prático.
As minhas invenções deixaram o
mundo melhor.
O que eu inventei
criou os problemas que eu tive que solucionar.
Eu tentei fazer o melhor para mim.
Eu tentei deixar o mundo mais
simples .
Eu organizei uma bagunça não
existia.
Mas isso não é o que importa.
Não,não é.
Não mesmo.
Isso eu não preciso
dizer.
Isso não precisa
ser dito.
Isso eu posso ver daqui
Mas antes eu não podia .
Antes já passou.
[...]
Perfeito demais. Saudades !
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